Sankirtan
“Não há qualquer dúvida sobre isto, a distribuição de livros é a nossa actividade mais importante” (Srila Prabhupada)
Eles são almas gentis, encantadores para toda a gente . Quem pode ser mais gentil do que um devoto de sankirtan, que pensa sómente no avanço espiritual das almas caídas devido à incompreensão que existe sobre a vida espiritual? Quem pode ser mais amável do que eles que distribuem incondicionalmente o maior presente do universo?
Os devotos de sankirtan são como as árvores do desejo, porque eles conhecem os desejos mais íntimos das pessoas: serem felizes, serem pacíficos e situarem-se eternamente na sua posição constitucional como servos de Deus.
Se nos quiser encontrar passe pela Rua Augusta, pelo Chiado, em Lisboa, ou então encontrá-los-á a salpicar as paisagens do nosso país.

Histórias de Sankirtan
Nityananda das: Pois ontem, como se tinha combinado, lá fomos a Dra Teresa, elegantérrima, aliás como todas as advogadas normalmente se vestem, e o Nityananda das, para as ruas de Viana do Castelo. Durante a viagem a Teresa perguntou o que se deveria pensar durante a distribuição de livros e eu comentei-lhe que muitas vezes os devotos pensam que estão a aproximar-se de amigos de longa data, mas que agora estão com problemas de amnésia e não conseguem lembrar-se de quem são, nem qual é a sua familia, nem qual é o objectivo da vida. O devoto serve de facilitador na recuperação da memória. O devoto é simplesmente um instrumento, ou carteiro nas mãos de Sriman Mahaprabhu. O doce desejo do Senhor Gauranga é que todos experimentem os doces nomes de Sri Krsna. Agora andamos com uns probleminhas de fígado, a tal icterícia, e não podemos provar a doçura desses nomes. Quanto mais provamos a doçura desses nomes, mais determinação teremos para partilhar a experiência. Viana do Castelo é uma cidade muito bonita, com os seus jardins muito bem tratados com os seus monumentos antigos lindissimos e com uma zona peatonal muito grande. Paravamos as pessoas com o já famoso “mantra”, “É de Viana?” Quando agarravam nos livros e olhavam para mim sentia que não estavam completamente à vontade, mas quando olhavam para a nossa amiga Teresa sentia nitidamente
que “baixavam as barreiras.” Até podia ler os seus pensamentos, “Se uma pessoa elegante como esta está a parar as pessoas aqui nas ruas é porque deve ser uma coisa importante.” Invariavelmente, no decurso da conversa, surgia alguma situação cómica e todos nos ríamos. Penso que este serviço dve ser executado de uma forma relaxada e com algum sentido de humor, caso contrário pode tornar-se doloroso. No final contabilizamos 40 livros distribuidos e um brilho especial nos olhos da Teresa. Valeu a pena? Penso que sim. Vale sempre a pena quando as pessoas se sentem felizes servindo a Sriman Mahaprabhu e a Srila Prabhupada. Esperemos que esta senhora, cujo namorado também é uma pessoa muito favorável à consciência de Krsna, e que lhe telefonou a meio do dia
perguntando como ia a venda, provem um gosto superior para que as suas vidas se tornem mais completas.
Nityananda das: Aqui estamos de novo para falar sobre as experiências da distribuição de livros. Nas duas primeiras semanas do mês de Dezembro estive a distribuir livros na zona de Lisboa-Venda do Pinheiro, Pêro Pinheiro, Oeiras, Paço de Arcos, Malveira, Cacém, Estação do Oriente, Algés etc. Em Pêro Pinheiro, entrei numa padaria e a senhora, já com uma certa idade, disse: ” ´tava a ver que você não vinha para estas bandas. Vi-o passar no outro lado da rua e apercebi-me que era dos mesmos que já pasaram aqui alguns anos atrás. Ora mostre-me lá esses livros para ver se já os tenho.Sim, sim, são do mesmo senhor.”-e apontou para Srila Prabhupada. Ficou com todos os livros que eu lhe apresentei, 5 no total, e fez uma doação simpática, tirando as notas de um envelope que o patrão lhe tinha apenas umas horas antes. Então, continuou “Vê, esta é a miséria que me pagam por trabalhar aqui tantas horas,” e abriu ainda mais o envelope. “Não dá quase para comer. Mas estes livros são um alimento doutro género. São para a
alma.” Lá foi o Nityananda das todo feliz por ter encontrado tal senhora. Na Venda do Pinheiro encontrei-me com uma senhora brasileira que ao ver o livro A Essência da Yoga disse, “Áh, não posso ficar com esse tipo de livros porque a minha religião não me permite.” Apercebi-me que era uma senhora evangelista e perguntei-lhe se sabia o que queria dizer a palavra yoga. Como
não sabia, expliquei-lhe que a palavra derivava da língua sânscrita, que muitos aceitam como a mãe de todas as línguas, e que significava União com Deus. Também lhe disse que o livro falava sobre o processo de nos unirmos a Deus através de cantar os Seus santos nomes. Disse-lhe que Deus era o Supremo Puro e que por louvarmos o Senhor cantando ou recitando os Seus nomes, também nos purificamos. De uma ou outra maneira a senhora convenceu-se que o livro poderia ajudá-la na sua compreensão de Deus e levou-o para casa. Antes de nos separarmos disse que tinha gostado muito das palavras que tinham sido ditas e que prometia ler o livro.
Nityananda das: Em Oeiras, depois de almoçar e ler o Bhagavatam sentía-me cheio de energia. Veio-me aquela maluqueira que eu ía salvar o mundo nessa hora que me restava do dia de sankirtana. À medida que ia entrando nas lojas e as pessoas iam rejeitando os livros, eu ia ficando desanimado. Então tive a percepção que no processo de salvar os outros, tinha-me esquecido de me salvar a mim mesmo
e tinha-me esquecido que Krsna que é o supremo controlador. Já quase no final dessa hora e já depois de ter sintonizado a minha consciência com a consciência de Krsna recitando o maha-mantra, entrei numa loja que vendia produtos para animais e o homem quase antes de eu ter entrado disse-me, “Não estou interessado.” Como eu estava mais relaxado soltei-lhe uma piada que
deu tempo para que ele se apercebesse, ao visualizar o livro de Krsna, que se tratava dos Hare Krsna. Então, disse, “Vocês são os Hare Krsna? Já podia ter dito. Quanto é que tenho que dar pelo livro? Gosto muito de vocês. Era frequentador assíduo do vosso refeitório. Agora a vida levou outro rumo e já não posso ir lá com tanta regularidade.”
Rupa Vilasa das: A nossa experiência diz-nos, com máxima autoridade, que sabemos o perfil de quem é inclinado à espiritualidade. Quando seguramos um montinho de livros nas mãos, vestidos de doti na rua movimentada e tentando abordar as pessoas na esperança de que o peso do papel diminua, também a nossa experiência nos fala antecipadamente que já sabemos quem é favorável a um livro, a uma palavra de estima, e quem fugirá se ouvir a palavra Deus! ou quando ouve a frase “apenas uma doação”. Em sankirtan Krishna habitou-nos a perceber que qualquer um pode levar um livro, especialmente aquele que menos esperávamos! Aprendemos a olhar sem julgar, ou seja, lançamo-nos a qualquer pessoa com a fé de que vamos vender o livro, e no futuro, talvez a fé seja de que vamos ajudar a salvar uma vida. O próprio Senhor Supremo nos ensina a distribuir os livros do Seu devoto, Srila Prabhupada, dizendo (B.G. 12.13) “Aquele que não é invejoso, mas é um amigo bondoso para todas as entidades vivas, que não se considera proprietário, livre do falso ego, que é equânime tanto na felicidade como na aflição, semelhante devoto Me é muito querido”. Reviram sentimentos de estar em Sankirtan? Todos, na rua, gostam de receber um sorriso de um devoto. O devoto gosta de sorrir para todos. Desta forma, no ambiente das ruas, o devoto mostra que é o peixe que está dentro de água. Um fruto do tempo em Sankirtan, e misericórdia de Krishna, é a (bhaktine) Cecília, que tem vindo aos enontros de domingo por um mês ontinuamente, com empenho e alegria. Lembrou-se, no outro dia, que Rupa Vilasa a tinha abordado num dia, com o Bhagavad Gita. (Dia de Gita Jayanti, cada devoto tinha saído sozinho). Outro dia, um tatuado, assumidamente ladrão, falava de um amigo ex-toxicodependente que à anos adoptou o yoga e meditação, e hoje mostra uma mudança total nas suas atitudes. O amigável bandido levou um papel com o Maha Mantra escrito, paus de incenso, forte entusiásmo e alguma fé. Até se dispôs a enfrentar o segurança, que define os limites da área de sankirtan no oriente. Ainda outro, levou um exemplar de cada livro, incluindo o Bhagavad Gita, depois de cuidadosa examinação. Conhecemos o processo, descrito no Bhagavad Gita (2.62-63), que começa na contemplação dos objectos dos sentidos, passa pela ira e nos afunda no poço da existência material. Mas durante o Sankirtan o Senhor Krishna lembra o devoto que (bg 13.29) “Aquele que vê a Superalma igualmente presente em toda a parte e em cada ser vivo, não se degrada através da mente. Assim, ele se aproxima do destino transcendental.



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